Bem, hoje já é quarta-feira. Metade do 3º ciclo já se foi. Ainda faltam 3 dias, os mais longos do ciclo. O tempo não passa. Hoje precisei de medicação para dormir. Acordei em torno do meio-dia e dormi novamente pela tarde. Tem sido uma rotina cansativa.
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
terça-feira, 10 de novembro de 2009
3º Ciclo - Primeiros Dias
É com prazer que escrevo diretamente do hospital esta postagem. Fui internado domingo às 17h no quarto 965 do Hospital São Lucas da PUCRS. As acomodações do 9º andar são bem melhores, tenho passado dias tranquilos por aqui. Hoje resolveram o problema de acesso à internet e estou conseguindo navegar pela web, um alívio para quem ficará sem fazer nada até sexta-feira ou sábado.
Ontem recebi a aplicação de Metotrexate, a droga amarela, durante quatro horas. Desta vez foram 19 gramas, um a menos que no ciclo anterior. De acordo com o 1º exame de sangue a dosagem da droga no sangue atingiu um nível satisfatório.
Agora estou recebendo soro na proporção de 200 ml/h. Naturalmente, tudo que entra tem que sair, e, portanto, tenho urinado bastante. A cada três horas recebo medicação contra os enjôos (Dramin e Plasil) e a cada seis horas Leucovorin, que serve de antídoto ao Metotrexate. Além destes, ainda tomo a cada 12 horas Ranitidina para prevenir lesões no estômago e a cada vez que escovo os dentes utilizo Periogard e Nistatina para prevenir lesões na boca. É bastante medicação.
Serei liberado assim que a dosagem de Metotrexate no sangue atingir um determinado valor. No 2º ciclo o valor só foi alcançado no sábado. Estou torcendo que desta vez consiga atingí-lo na sexta-feira. Quanto às reações adversas, novamente não estou sentindo. Apenas estou com muito sono por causa da medicação.
Hoje almocei um belo prato de massa com carne moída feita pela minha querida irmã Kota. Estava muito bom. Ontem quem trouxe a comida foi a minha mãe, batata com carne moída. Apesar da comida do 9º andar ser melhor, a comida caseira é bem melhor, nem se compara. Minha família tem me ajudado muito! Hoje quem está comigo no hospital é minha mãe. A Denise deve chegar mais tarde para passar a noite por aqui. Neste quarto tem um sofá bem melhor para o acompanhante, elas estão conseguindo dormir melhor.
Por enquanto é isto, sigo amarrado no poste. Amanhã escrevo mais um pouco.
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
Pamidronato Dissódico
Terça-feira desta semana, dia 03/11/2009, realizei a aplicação de pamidronato dissódico, cujo nome comercial é Aredia. A administração do medicamento foi feita através do cateter e demorou em torno de uma hora e meia. Existem estudos que demonstram efeitos positivos no tratamento de osteossarcomas. Conforme a bula do medicamento, quando utilizado em combinação com tratamento anticâncer padrão, AREDIA leva ao retardo na progressão das metástases ósseas.
Mais algumas partes da bula:
Ação esperada do medicamento: AREDIA tem como substância ativa o pamidronato dissódico que atua sobre o tecido ósseo, inibindo a reabsorção.
Reações adversas: As reações adversas de AREDIA são geralmente leves e transitórias. A reação adversa mais comum é o aumento da temperatura (um aumento na temperatura corporal maior que 1°C, que pode durar 2 dias). O aumento da temperatura geralmente desaparece espontaneamente e não requer tratamento. Podem ocorrer reações adversas tais como: sintomas semelhantes aos da gripe, acompanhados muitas vezes de mal-estar, tremores (calafrios), cansaço e vermelhidão da pele, hipocalcemia, hipofosfatemia. Informe ao seu médico sobre o aparecimento de reações desagradáveis.
Reações adversas: As reações adversas de AREDIA são geralmente leves e transitórias. A reação adversa mais comum é o aumento da temperatura (um aumento na temperatura corporal maior que 1°C, que pode durar 2 dias). O aumento da temperatura geralmente desaparece espontaneamente e não requer tratamento. Podem ocorrer reações adversas tais como: sintomas semelhantes aos da gripe, acompanhados muitas vezes de mal-estar, tremores (calafrios), cansaço e vermelhidão da pele, hipocalcemia, hipofosfatemia. Informe ao seu médico sobre o aparecimento de reações desagradáveis.
Quanto às reações adversas, tive febre, mal-estar, tremores (calafrios) e cansaço. Já estava avisado destes efeitos, portanto não tive surpresas.
Desde ontem tenho sentido algumas dores diferentes ao movimentar o joelho. Parece que estou com mais alguns movimentos limitados. Não sei se é momentâneo ou não.
No próximo domingo, em princípio, serei internado novamente no hospital da PUCRS para o 3º ciclo de quimioterapia. Este ciclo corresponde à mesma medicação do 2º, portanto lá ficarei por cinco ou seis dias. O 2º ciclo foi tranquilo, espero que o 3º também seja. O certo é que não vou me michar agora! Que venha o 3º ciclo!
Desde ontem tenho sentido algumas dores diferentes ao movimentar o joelho. Parece que estou com mais alguns movimentos limitados. Não sei se é momentâneo ou não.
No próximo domingo, em princípio, serei internado novamente no hospital da PUCRS para o 3º ciclo de quimioterapia. Este ciclo corresponde à mesma medicação do 2º, portanto lá ficarei por cinco ou seis dias. O 2º ciclo foi tranquilo, espero que o 3º também seja. O certo é que não vou me michar agora! Que venha o 3º ciclo!
sábado, 24 de outubro de 2009
Em Casa Novamente
Acabo de chegar em casa. O 2º ciclo foi cansativo mas já passou. Foram longos seis dias de internação, medicação, muito soro e urina. Não estou inchado como imaginava que estaria e não tive náuseas nem vômitos, o que, para mim, é motivo de comemoração.
A quimioterapia foi administrada apenas na segunda-feira, durante umas 4 horas. A partir daí passei a urinar em intervalos de 30 em 30 minutos, às vezes até menos. É desconfortável, mas é necessário. O pior é ter que acordar toda hora. Fiquei íntimo de um tal de "papagaio".
Tive muita sonolência nos primeiros três dias. Sinto dizer que acho que fui indelicado com algumas pessoas que me visitaram, mas acreditem não estava muito consciente. Só me lembro de alguns vultos e algumas imagens contra a luz. O sono tomou conta de mim naqueles dias. Nos dias restantes ocorreu o contrário: só conseguia dormir com remédios. Creio que o meu corpo se acostumou com a medicação e acabou com meu sono. Aí o tempo não passava mais, os dias pareciam semanas e o hospital não era nada agradável para passar o tempo.
Nos primeiros dias consegui comer a comida do hospital, mas no terceiro ou quarto dia já não suportava mais o cheiro. Todos os dias o cheiro era igual, independente da comida. O gosto também, comida de hospital não tem nada de sal, é ruim de aguentar. Isso sem falar nas jantas às 17h. Quem consegue jantar neste horário? Graças a minha família maravilhosa, pude me alimentar bem todos os dias. Faziam comida e corriam para o hospital para que eu conseguisse comê-la quente. Isso não tem preço.
Enfim, foram seis dias amarrado em um poste, conectado em uma bomba de administração de soro. Seis dias de exercício de paciência. Seis dias de luta. Liberdade e independência também não têm preço.
A quimioterapia foi administrada apenas na segunda-feira, durante umas 4 horas. A partir daí passei a urinar em intervalos de 30 em 30 minutos, às vezes até menos. É desconfortável, mas é necessário. O pior é ter que acordar toda hora. Fiquei íntimo de um tal de "papagaio".
Tive muita sonolência nos primeiros três dias. Sinto dizer que acho que fui indelicado com algumas pessoas que me visitaram, mas acreditem não estava muito consciente. Só me lembro de alguns vultos e algumas imagens contra a luz. O sono tomou conta de mim naqueles dias. Nos dias restantes ocorreu o contrário: só conseguia dormir com remédios. Creio que o meu corpo se acostumou com a medicação e acabou com meu sono. Aí o tempo não passava mais, os dias pareciam semanas e o hospital não era nada agradável para passar o tempo.
Nos primeiros dias consegui comer a comida do hospital, mas no terceiro ou quarto dia já não suportava mais o cheiro. Todos os dias o cheiro era igual, independente da comida. O gosto também, comida de hospital não tem nada de sal, é ruim de aguentar. Isso sem falar nas jantas às 17h. Quem consegue jantar neste horário? Graças a minha família maravilhosa, pude me alimentar bem todos os dias. Faziam comida e corriam para o hospital para que eu conseguisse comê-la quente. Isso não tem preço.
Enfim, foram seis dias amarrado em um poste, conectado em uma bomba de administração de soro. Seis dias de exercício de paciência. Seis dias de luta. Liberdade e independência também não têm preço.
sábado, 17 de outubro de 2009
O Careca
Decidi tirar todo o cabelo e não esperar que ele caísse aos poucos. Minha mãe e a Denise "depilaram" a minha cabeça. Agora estou com um visual estilo Guiñazu. Eis o resultado.
Amanhã serei internado no hospital da PUCRS para o 2º ciclo de quimioterapia. Vou ficar lá por 5 dias. Esta será a segunda batalha. Espero ter forças para vencê-la com facilidade.
Que venha o 2º ciclo!
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
Adeus Cabelo
Hoje o cabelo começou a cair. Há dias que venho fazendo testes. Dou pequenas puxadas no cabelo para ver se alguns fios se desprendem com facilidade. Até ontem nada de diferente. Hoje pela manhã, quando fui fazer mais uma coleta de sangue, o resultado do teste foi um pouquinho incomum. Ao puxar levemente o cabelo, uns três ou quatro fios ficaram nos meus dedos.
No fim da tarde, a minha querida irmã Kota veio me dar um abraço e questionou se o cabelo estava caindo. Respondi que sim e fiz o teste para ela ver. A esta altura do dia, puxando levemente o cabelo já se desprendia um chumaço entre os dedos.
Fiz o teste com pelos de todas as partes do corpo. Até agora a sobrancelha está intacta. O mesmo vale para pelos dos braços e das pernas. A queda só se dá no cabelo, barba e pelos pubianos. Mas de que barba eu estaria falando? Desde que iniciei a quimioterapia parei de me barbear, afinal iria perdê-la a qualquer momento. Então hoje existe um pouquinho de barba no meu rosto. Nada de mais.
Por incrível que pareça, fico feliz que isto esteja acontecendo. Conforme o Dr. Júlio, é um sinal de que meu organismo está reagindo às drogas.
Mudando de assunto, hoje ficou acertado que serei internado semana que vem no hospital da PUCRS para realizar o segundo ciclo de quimioterapia. Espero que tudo corra conforme está programado. O Dr. Júlio tem dado uma atenção incrível ao caso. É gratificante saber que estou sendo tratado por um profissional tão competente e interessado. O tratamento do câncer não se restringe à quimioterapia, radioterapia e cirurgia. Todo o conjunto emocional que envolve o paciente é importante para o sucesso do tratamento. Se depender disso, estarei curado em breve!
No fim da tarde, a minha querida irmã Kota veio me dar um abraço e questionou se o cabelo estava caindo. Respondi que sim e fiz o teste para ela ver. A esta altura do dia, puxando levemente o cabelo já se desprendia um chumaço entre os dedos.
Fiz o teste com pelos de todas as partes do corpo. Até agora a sobrancelha está intacta. O mesmo vale para pelos dos braços e das pernas. A queda só se dá no cabelo, barba e pelos pubianos. Mas de que barba eu estaria falando? Desde que iniciei a quimioterapia parei de me barbear, afinal iria perdê-la a qualquer momento. Então hoje existe um pouquinho de barba no meu rosto. Nada de mais.
Por incrível que pareça, fico feliz que isto esteja acontecendo. Conforme o Dr. Júlio, é um sinal de que meu organismo está reagindo às drogas.
Mudando de assunto, hoje ficou acertado que serei internado semana que vem no hospital da PUCRS para realizar o segundo ciclo de quimioterapia. Espero que tudo corra conforme está programado. O Dr. Júlio tem dado uma atenção incrível ao caso. É gratificante saber que estou sendo tratado por um profissional tão competente e interessado. O tratamento do câncer não se restringe à quimioterapia, radioterapia e cirurgia. Todo o conjunto emocional que envolve o paciente é importante para o sucesso do tratamento. Se depender disso, estarei curado em breve!
quarta-feira, 7 de outubro de 2009
Consulta ao Oncologista
Hoje tive uma consulta ao oncologista, Dr. Júlio. Nestes últimos dias tive que fazer alguns exames de sangue para verificar como o meu organismo está reagindo à quimioterapia. Em princípio, está tudo dentro do esperado. As plaquetas, células sanguíneas responsáveis pela coagulação, estão em queda. Já os leucócitos estão com números bem esquisitos, não apresentando uma tendência.
Depois de cada ciclo de quimioterapia, tenho que receber aplicações diárias de filgrastima. Esta medicação auxilia na recuperação do meu organismo e estimula a medula. Não fosse este medicamento, provavelmente estaria com números diferentes.
A filgrastima é aplicada através de injeção subcutânea, semelhante às injeções utilizadas pelos diabéticos. Por ser subcutânea pode ser aplicada na barriga, em torno do umbigo ou atrás dos braços. Hoje terei a última aplicação deste medicamento referente ao 1º ciclo. Será a 12ª aplicação, todas foram feitas na barriga. Agradeço a minha vizinha Ana que se disponibilizou a aplicar as injeções e tem dispensado parte do seu tempo em colaborar com meu tratamento. Nos últimos dias tomei coragem e pedi a ela que me ensinasse o procedimento para aplicação. Ela está me ensinando e quem sabe no próximo ciclo eu possa realizar a auto-aplicação.
Quanto à continuação do tratamento, o próximo ciclo de quimioterapia será iniciado no domingo, dia 18/10/2009, quando será iniciado o processo de hidratação. Receberei a droga Metotrexat, conhecida pela sua cor amarela, na segunda-feira. A partir daí até a sexta-feira ficarei hidratando e fazendo exames de sangue diariamente para verificar a concentração da droga no sangue. Segundo o oncologista, os efeitos colaterais deste segundo ciclo não são tão fortes quanto os do primeiro.
Ainda não sei se será necessária internação em hospital ou se o plano de saúde vai autorizar os serviços de "home care". A internação é muito mais cara ao plano que os serviços de "home care", entretanto, em decorrência de processos burocráticos altamente engessados pelos critérios definidos, a maior probabilidade é de realizar o segundo ciclo internado em um hospital. De qualquer forma, o importante é realizar o tratamento no melhor tempo possível.
Ontem tirei os pontos referentes à implantação do cateter. A colocação do cateter foi um sucesso e está tudo bem com ele. As limitações de movimentos com o braço direito já não existem e nem sinto que tenho um pedaço de plástico dentro do peito. Já consigo até dormir de lado!
Amanhã realizarei outro exame de sangue para verificar se minhas plaquetas continuam caindo. Conforme o oncologista, teremos que agir se as plaquetas chegarem a 30.000. Menos de 10.000 significa que terei que receber plaquetas em um banco de sangue.
O Dr. Júlio questionou sobre a queda do cabelo. Por enquanto continuo com todos os meus cabelos na cabeça. Os pelos do corpo também estão intactos, exceto os pubianos, os quais percebi uma queda acentuada nos últimos dias. Se eu fosse mulher estaria adorando, mas para os homens isto é indiferente. Nos próximos dias devo começar a perder o cabelo e demais pelos do corpo. Sinceramente, acredito que isto seja apenas um detalhe diante da situação. Para mim é algo superado.
Agora resta esperar a continuação do tratamento. Até agora está dando tudo certo. Vamos torcer para continuar assim!
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
O 1º Ciclo de Quimioterapia
Confesso que tive um certo medo de encarar este primeiro ciclo de quimioterapia. Não sabia o que esperar, afinal as reações são as mais diversas e variam de organismo para organismo. Neste sentido, fui muito bem orientado pela equipe da CliniOnco, clínica que vem conduzindo o meu tratamento quimioterápico. Tive acompanhamento de oncologista, nutricionista, fisioterapeutas, psicólogos, enfermeiras e técnicos sempre dispostos a ajudar. Isto é muito importante para quem enfrenta uma quimioterapia.
É importante ressaltar que esta não é uma luta que uma pessoa consiga vencer sozinha. É necessário o apoio dos familiares, amigos e profissionais que se ocupam de acompanhar o tratamento. É uma batalha árdua.
No primeiro dia eu estava me sentindo muito bem. Cheguei à clínica acompanhado de minha mãe em torno das 08h e saí por volta das 15h30min. O catéter funcionou perfeitamente e, como haviam me dito, não senti nada relacionado à administração dos medicamentos. Neste primeiro dia recebi duas drogas: doxorrubicina e cisplatina. A doxorubicina é uma droga vermelha enquanto a cisplatina é fotosensível e incolor. A estrutura da clínica é realmente muito boa, assisti televisão o dia todo em uma confortável poltrona.
No segundo dia tive muito sono. Como as drogas administradas eram exatamente as mesmas do primeiro dia e nas mesmas quantidades, permaneci na clínica o mesmo tempo. Neste segundo dia fiquei em um quarto exclusivo. Passei o dia deitado na cama dormindo e olhando televisão. Minha mãe novamente me acompanhou.
No terceiro dia já comecei a sentir alguns efeitos do tratamento. Estava totalmente inchado em virtude da alta quantidade de soro administrado durante o tratamento (5 litros por dia). Neste dia, meu pai me acompanhou e, como só seria aplicada a doxorrubicina, a jornada foi um pouco mais curta - saí por volta das 13h.
Nestes três dias não tive apetite. Comi pouco, me senti fraco e precisei urinar a cada 40 minutos, o que não me deixava nem dormir com tranquilidade. Meus pais foram fundamentais, estiveram comigo o tempo todo na clínica.
Quanto aos efeitos indesejáveis, acredito que, dentro do possível, me saí bem. Os primeiros enjôos ocorreram no terceiro dia e aumentaram nos dois dias seguintes. Vomitei apenas duas vezes, sempre logo após acordar. Ganhei um balde vermelho de presente. Agora, ele é meu fiel companheiro dentro de casa. Onde eu vou, ele vai junto. Ele é a minha segurança contra os vômitos.
É um momento delicado, porém é um momento. Passa. Hoje já estou bem melhor, já consigo fazer quase todas as minhas atividades normais e o inchaço já diminuiu. Ainda sinto uma fraqueza e o apetite não é o mesmo, mas já estou muito melhor do que estive.
É importante ressaltar que esta não é uma luta que uma pessoa consiga vencer sozinha. É necessário o apoio dos familiares, amigos e profissionais que se ocupam de acompanhar o tratamento. É uma batalha árdua.
No primeiro dia eu estava me sentindo muito bem. Cheguei à clínica acompanhado de minha mãe em torno das 08h e saí por volta das 15h30min. O catéter funcionou perfeitamente e, como haviam me dito, não senti nada relacionado à administração dos medicamentos. Neste primeiro dia recebi duas drogas: doxorrubicina e cisplatina. A doxorubicina é uma droga vermelha enquanto a cisplatina é fotosensível e incolor. A estrutura da clínica é realmente muito boa, assisti televisão o dia todo em uma confortável poltrona.
No segundo dia tive muito sono. Como as drogas administradas eram exatamente as mesmas do primeiro dia e nas mesmas quantidades, permaneci na clínica o mesmo tempo. Neste segundo dia fiquei em um quarto exclusivo. Passei o dia deitado na cama dormindo e olhando televisão. Minha mãe novamente me acompanhou.
No terceiro dia já comecei a sentir alguns efeitos do tratamento. Estava totalmente inchado em virtude da alta quantidade de soro administrado durante o tratamento (5 litros por dia). Neste dia, meu pai me acompanhou e, como só seria aplicada a doxorrubicina, a jornada foi um pouco mais curta - saí por volta das 13h.
Nestes três dias não tive apetite. Comi pouco, me senti fraco e precisei urinar a cada 40 minutos, o que não me deixava nem dormir com tranquilidade. Meus pais foram fundamentais, estiveram comigo o tempo todo na clínica.
Quanto aos efeitos indesejáveis, acredito que, dentro do possível, me saí bem. Os primeiros enjôos ocorreram no terceiro dia e aumentaram nos dois dias seguintes. Vomitei apenas duas vezes, sempre logo após acordar. Ganhei um balde vermelho de presente. Agora, ele é meu fiel companheiro dentro de casa. Onde eu vou, ele vai junto. Ele é a minha segurança contra os vômitos.
É um momento delicado, porém é um momento. Passa. Hoje já estou bem melhor, já consigo fazer quase todas as minhas atividades normais e o inchaço já diminuiu. Ainda sinto uma fraqueza e o apetite não é o mesmo, mas já estou muito melhor do que estive.
sexta-feira, 25 de setembro de 2009
Efeitos do 1º Ciclo
É, lá se foi o 1º ciclo da quimioterapia. Já começo a sentir alguns efeitos como um pouco de náuseas, tonturas, dores pelo corpo e inchaço. Está difícil de escrever para o blog. Assim que eu estiver melhor, detalharei essa minha primeira semana de tratamento efetivo.
Agradeço a todos que estão mandando seu apoio. Isto é muito importante para mim.
Um abraço a todos!
Agradeço a todos que estão mandando seu apoio. Isto é muito importante para mim.
Um abraço a todos!
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
Postagem inaugural
Há menos de um mês descobri que portava um osteossarcoma. Foi quando decidi criar um blog para documentar o meu caso. Acredito que com esta ferramenta, consiga contribuir com pessoas em situação semelhante através do meu testemunho e com o meu próprio tratamento, pois tenho que, de alguma forma, ocupar meus pensamentos com algo proveitoso.
De antemão, garanto que o blog terá início, meio e fim. Espero que eu consiga escrever uma novela, dessas de televisão que têm final feliz, entretanto, não posso garantir isto. Infelizmente, não estou na posição do Manoel Carlos ou da Glória Perez, não tenho o poder de determinar o rumo do personagem. Serei ao mesmo tempo o personagem e o relator. Apesar do fim incerto, acreditarei enquanto houver esperança e conto com a torcida daqueles que, de alguma forma, fazem parte da minha vida e me mantém com forças para vencer esta guerra, batalha por batalha.
Infelizmente, não tive coragem e disposição para começar a escrever a história quando aconteceram os primeiros capítulos, porém, para não furtar dos leitores os relatos iniciais, irei postá-los de maneira retroativa, ou seja, nos próximos dias voltaremos ao início do mês de junho do presente ano, quando os primeiros sintomas começaram a se manifestar.
A seguir, uma breve descrição da doença (baseada no site Wikipedia):
De antemão, garanto que o blog terá início, meio e fim. Espero que eu consiga escrever uma novela, dessas de televisão que têm final feliz, entretanto, não posso garantir isto. Infelizmente, não estou na posição do Manoel Carlos ou da Glória Perez, não tenho o poder de determinar o rumo do personagem. Serei ao mesmo tempo o personagem e o relator. Apesar do fim incerto, acreditarei enquanto houver esperança e conto com a torcida daqueles que, de alguma forma, fazem parte da minha vida e me mantém com forças para vencer esta guerra, batalha por batalha.
Infelizmente, não tive coragem e disposição para começar a escrever a história quando aconteceram os primeiros capítulos, porém, para não furtar dos leitores os relatos iniciais, irei postá-los de maneira retroativa, ou seja, nos próximos dias voltaremos ao início do mês de junho do presente ano, quando os primeiros sintomas começaram a se manifestar.
A seguir, uma breve descrição da doença (baseada no site Wikipedia):
Osteossarcoma é um tumor ósseo maligno que ocorre principalmente em adolescentes e adultos jovens (até 30 anos). O tumor ocorre preferencialmente na região da metáfise óssea de ossos tubulares longos. Cinquenta porcento dos casos ocorrem próximos aos joelhos. As metástases ocorrem principalmente para os pulmões.
P.S. 01: Em alguns momentos da jornada, não poderei ou não terei disposição física ou mental para escrever, portanto é provável que tenhamos um pequeno delay nas postagens.
P.S. 02: Para quem ainda não me viu de cabelo raspado, segue foto com minha afilhada Laís.
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