quarta-feira, 30 de setembro de 2009

O 1º Ciclo de Quimioterapia

Confesso que tive um certo medo de encarar este primeiro ciclo de quimioterapia. Não sabia o que esperar, afinal as reações são as mais diversas e variam de organismo para organismo. Neste sentido, fui muito bem orientado pela equipe da CliniOnco, clínica que vem conduzindo o meu tratamento quimioterápico. Tive acompanhamento de oncologista, nutricionista, fisioterapeutas, psicólogos, enfermeiras e técnicos sempre dispostos a ajudar. Isto é muito importante para quem enfrenta uma quimioterapia.

É importante ressaltar que esta não é uma luta que uma pessoa consiga vencer sozinha. É necessário o apoio dos familiares, amigos e profissionais que se ocupam de acompanhar o tratamento. É uma batalha árdua.

No primeiro dia eu estava me sentindo muito bem. Cheguei à clínica acompanhado de minha mãe em torno das 08h e saí por volta das 15h30min. O catéter funcionou perfeitamente e, como haviam me dito, não senti nada relacionado à administração dos medicamentos. Neste primeiro dia recebi duas drogas: doxorrubicina e cisplatina. A doxorubicina é uma droga vermelha enquanto a cisplatina é fotosensível e incolor. A estrutura da clínica é realmente muito boa, assisti televisão o dia todo em uma confortável poltrona.

No segundo dia tive muito sono. Como as drogas administradas eram exatamente as mesmas do primeiro dia e nas mesmas quantidades, permaneci na clínica o mesmo tempo. Neste segundo dia fiquei em um quarto exclusivo. Passei o dia deitado na cama dormindo e olhando televisão. Minha mãe novamente me acompanhou.

No terceiro dia já comecei a sentir alguns efeitos do tratamento. Estava totalmente inchado em virtude da alta quantidade de soro administrado durante o tratamento (5 litros por dia). Neste dia, meu pai me acompanhou e, como só seria aplicada a doxorrubicina, a jornada foi um pouco mais curta - saí por volta das 13h.

Nestes três dias não tive apetite. Comi pouco, me senti fraco e precisei urinar a cada 40 minutos, o que não me deixava nem dormir com tranquilidade. Meus pais foram fundamentais, estiveram comigo o tempo todo na clínica.

Quanto aos efeitos indesejáveis, acredito que, dentro do possível, me saí bem. Os primeiros enjôos ocorreram no terceiro dia e aumentaram nos dois dias seguintes. Vomitei apenas duas vezes, sempre logo após acordar. Ganhei um balde vermelho de presente. Agora, ele é meu fiel companheiro dentro de casa. Onde eu vou, ele vai junto. Ele é a minha segurança contra os vômitos.

É um momento delicado, porém é um momento. Passa. Hoje já estou bem melhor, já consigo fazer quase todas as minhas atividades normais e o inchaço já diminuiu. Ainda sinto uma fraqueza e o apetite não é o mesmo, mas já estou muito melhor do que estive.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Efeitos do 1º Ciclo

É, lá se foi o 1º ciclo da quimioterapia. Já começo a sentir alguns efeitos como um pouco de náuseas, tonturas, dores pelo corpo e inchaço. Está difícil de escrever para o blog. Assim que eu estiver melhor, detalharei essa minha primeira semana de tratamento efetivo.

Agradeço a todos que estão mandando seu apoio. Isto é muito importante para mim.

Um abraço a todos!

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Postagem inaugural

Há menos de um mês descobri que portava um osteossarcoma. Foi quando decidi criar um blog para documentar o meu caso. Acredito que com esta ferramenta, consiga contribuir com pessoas em situação semelhante através do meu testemunho e com o meu próprio tratamento, pois tenho que, de alguma forma, ocupar meus pensamentos com algo proveitoso.

De antemão, garanto que o blog terá início, meio e fim. Espero que eu consiga escrever uma novela, dessas de televisão que têm final feliz, entretanto, não posso garantir isto. Infelizmente, não estou na posição do Manoel Carlos ou da Glória Perez, não tenho o poder de determinar o rumo do personagem. Serei ao mesmo tempo o personagem e o relator. Apesar do fim incerto, acreditarei enquanto houver esperança e conto com a torcida daqueles que, de alguma forma, fazem parte da minha vida e me mantém com forças para vencer esta guerra, batalha por batalha.

Infelizmente, não tive coragem e disposição para começar a escrever a história quando aconteceram os primeiros capítulos, porém, para não furtar dos leitores os relatos iniciais, irei postá-los de maneira retroativa, ou seja, nos próximos dias voltaremos ao início do mês de junho do presente ano, quando os primeiros sintomas começaram a se manifestar.

A seguir, uma breve descrição da doença (baseada no site Wikipedia):
Osteossarcoma é um tumor ósseo maligno que ocorre principalmente em adolescentes e adultos jovens (até 30 anos). O tumor ocorre preferencialmente na região da metáfise óssea de ossos tubulares longos. Cinquenta porcento dos casos ocorrem próximos aos joelhos. As metástases ocorrem principalmente para os pulmões.

P.S. 01: Em alguns momentos da jornada, não poderei ou não terei disposição física ou mental para escrever, portanto é provável que tenhamos um pequeno delay nas postagens.
P.S. 02: Para quem ainda não me viu de cabelo raspado, segue foto com minha afilhada Laís.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

A Segunda Opinião*

Agendei consulta com o Dr. Fábio Gervini, em uma clínica especializada em ortopedia e traumatologia. Estava disposto a ouvir uma segunda opinião. Vale registrar que minha mãe e minha irmã Kota quase brigaram comigo para me convencer a ouvir esta segunda opinião. Eu já estava convencido, mas família é mesmo assim. A gente se ama.

Na primeira consulta, o Dr. Fábio examinou meu joelho e solicitou, primeiramente, uma radiografia. Ainda me lembro dele falando: "é, tem uma massa aqui", referindo-se ao inchaço. A radiografia não foi conclusiva e, no próprio laudo, sugeria estudo por ressonância magnética.

Levei os resultados para o Dr. Fábio. Era a segunda consulta. Ele olhou a radiografia e solicitou uma ressonância magnética. Fui ao Hospital Moinhos de Vento e agendei o exame. Fiquei satisfeito em ver que o problema estava sendo investigado. Teria um laudo conclusivo em breve.

Na data marcada, realizei a ressonância magnética. Após 40 minutos de exame, o profissional que operava o equipamento solicitou que eu passasse na recepção para agendar uma tomografia computadorizada. Segundo ele, o médico que elaborava o laudo do exame precisava desta complementação para que o estudo ficasse completo.

Agendei para o dia seguinte. A tomografia não teve custo adicional. Compareci novamente ao hospital e realizei o exame complementar em cerca de 5 minutos. O resultado dos exames ficaria pronto no dia 31/08/2009 pela manhã. No mesmo dia 31, pela tarde, já estava agendada nova consulta ao Dr. Fábio.

Estava ansioso para saber o resultado do exame. A dor já estava incomodando e eu já mancava o tempo todo. Meu pai ficou de apanhar o resultado do exame no hospital pela manhã. Por volta das 13h liguei para ele. Perguntei sobre o exame. Ele me contou que falava em tumor, mas percebi que estava confuso. Até este momento nunca tinha pensado que poderia ser um tumor. Pensava em menisco, ligamentos, até mesmo tendinite. Jamais em tumor.

Ao desligar o telefone, fui pesquisar na internet. Acessei o Google e digitei: tumor no joelho. Eis que surgiram muitos resultados. Li alguns artigos, algo sobre osteossarcoma, metástases, entre outras coisas. Verifiquei que me enquadrava no perfil de uma vítima de osteossarcoma: adulto jovem, até 30 anos. Confesso que neste instante fiquei preocupado. Não sabia o que pensar. Ainda que soubesse da gravidade do que se apresentava, tentei não fazer tempestade antes de saber se estava no mar ou em um copo d'água.

Por volta das 16h desse mesmo dia, estávamos eu e meu pai em frente ao Dr. Fábio, apresentando-lhe o resultado do exame. Ele olhou as lâminas, leu o laudo. Passaram-se alguns minutos e ele esclareceu. Havia realmente um tumor no fêmur. Comentou que este já não era um caso para ele, pois a especialidade dele é cirurgia de ombro. Para o meu problema existem apenas três profissionais em Porto Alegre. Ele me sugeriu que comparecesse no dia seguinte à PUCRS para falar com o Dr. André Serafini do grupo de tumores, que era um dos especialistas em cirurgia deste tipo.

A confirmação da existência do tumor me deixou tenso. Não tem como definir a sensação. Parece que o chão deixa de existir. A pessoa, inevitavelmente, pensa na morte. Não estamos acostumados nem preparados para isto. Ainda mais quando se tem 22 anos. E agora? Qual será o futuro? O próximo passo? Será necessária amputação? Me casarei? Terei filhos? Todas estas dúvidas rodearam meus pensamentos até o fim daquele dia.

Tentei segurar o choro no caminho de volta. Não queria chorar na frente do meu pai. E, dentro do possível, consegui. Cheguei em casa e estavam todos a me esperar. Até a Denise veio de Novo Hamburgo para me ver. Não consegui segurar. Me tranquei no quarto. Chorei por uns cinco minutos. Sou assim. Quando choro, prefiro que seja sozinho. Não gosto que a minha dor gere dor nas pessoas que me amam.

Este momento é indescritível. Senti como se um relógio em contagem regressiva tivesse sido instalado em mim. Mas quanto tempo ele marcava? Percebi que sofria por antecipação. Decidi deixar estes pensamentos de lado e me concentrar no próximo passo, que seria consultar o Dr. André Serafini no dia seguinte. Até lá precisava colocar a cabeça no lugar e me preparar para enfrentar a tempestade.

* Esta é uma postagem retroativa.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

O Tratamento Fracassado*

Comecei a realizar o tratamento receitado pelo médico. Saindo da consulta comprei o anti-inflamatório e já utilizei pela primeira vez. Deveria tomá-lo por 5 dias. A imobilização e o gelo deveriam ser mantidos pelos 15 dias.

Durante os 5 dias em que utilizei a medicação tive uma boa diminuição da dor. Pensei até que o problema estaria resolvido ao fim deste primeiro tratamento. Entretanto, passado o tempo de administração do remédio, as dores voltaram e com a mesma intensidade anterior. Mantive a imobilização, mas me neguei a fazer o gelo, pois era inverno em Porto Alegre e estava muito frio.

Passaram-se os 15 dias propostos pelo médico e o problema persistia. Voltei então a consultar o mesmo médico para os novos encaminhamentos. A esta altura, meu joelho já havia sofrido um leve acréscimo de volume. Somente pelo toque já dava para sentir que existia uma massa em um lugar onde não deveria existir. Relatei isto ao médico. Ele examinou meu joelho. Tocou levemente a massa protuberante em uma primeira análise. Após apertou-a com força. Vi estrelas. Aquilo doeu por meia hora.

Após o exame, o médico manteve o diagnóstico, afirmou que as tendinites são mais comuns no inverno, porém garantiu que esta tendinite não seria mais resolvida somente com anti-inflamatórios e eu deveria fazer, inicialmente, 10 sessões de fisioterapia. Passou-me uma requisição para que eu solitasse aprovação do plano de saúde, apertou a minha mão e disse que nos veríamos após essas 10 sessões iniciais de fisioterapia.

Saí da clínica disposto a procurar outro ortopedista. Alguém que investigasse a fundo o problema antes de iniciar qualquer tratamento. Não gosto muito de ficar trocando de médico em meio ao tratamento, prefiro confiar no conhecimento dos profissionais, mas a situação me deixou com uma pequena pulga atrás da orelha. Senti que o diagnóstico foi feito como se um vestibulando que não sabe o que responder escolhesse uma dentre três ou quatro alternativas que julga poderem estar certas, mas que, na verdade, não tem certeza de que a escolha esteja realmente correta. Como não sou folha óptica, resolvi procurar outro especialista. Caso o diagnóstico fosse o mesmo, efetuaria o tratamento indicado.

*Esta é uma postagem retroativa.

terça-feira, 28 de julho de 2009

A Primeira Consulta*

Precisava procurar um médico. Liguei para a Urgetrauma - que ficava perto de casa e constava como credenciada do plano de saúde - para marcar uma consulta, porém me informaram que não havia necessidade de agendar horário, bastava se dirigir à clínica no horário de atendimento. Então me programei para ir em uma terça-feira à noite, pois já estava de férias da faculdade e não precisaria me ausentar do trabalho.
Na clínica, fui bem atendido e relatei as dores ao médico que me atendeu. Até esta data não havia nenhum acréscimo de volume no joelho esquerdo. O médico solicitou que fossem feitas radiografias da região para esclarecer a natureza da lesão. Feitas as radiografias, foi-me comunicado o diagnóstico: "estás com tendinite". Receitou-me anti-inflamatório, "imobilização" com uma faixa e gelo durante quinze dias. Caso o tratamento não demonstrasse sucesso, eu deveria retornar para novos encaminhamentos.
Confesso que tive dúvidas sobre o diagnóstico, pois acredito ser impossível determinar com certeza que um paciente tem tendinite apenas com uma radiografia. Relevei e resolvi encarar o tratamento sugerido. Caso não tivesse sucesso, voltaria a consultar.

*Esta é uma postagem retroativa

terça-feira, 30 de junho de 2009

Os Primeiros Sintomas*

Difícil determinar exatamente o dia em que comecei a sentir dores no joelho esquerdo. No começo era apenas um incômodo, eu achava que tinha se originado de uma noite mal dormida ou da minha mania de sentar com os pés cruzados. As dores começaram a aumentar e era como se eu tivesse batido no canto de um móvel ou tivesse tido um choque durante um jogo de futebol. Até então uma mera dor muscular. Iria passar. O estranho era que não me lembrava de qualquer ocorrência pontual que pudesse ter gerado uma lesão.
Mas o tempo foi passando e no fim do primeiro semestre deste ano eu já tinha dificuldades para subir escadas. Percebi isto na faculdade, quando tinha aulas no prédio da Economia e tinha que subir dois ou três andares. Foi quando decidi que deveria procurar um ortopedista para avaliar o caso. Provavelmente teria que tomar alguns remédios anti-inflamatórios e tudo se resolveria.

*Esta é uma postagem retroativa.