sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Pronto para a próxima!

É muito boa a sensação de estar tão perto do fim. Conforme o tempo passa a quimioterapia vai ficando mais tolerável, mais fácil de vencer. A proximidade do fim eleva o moral, acalma o coração, deixa na boca um gostinho de vitória. Entretanto, é necessário degustar este momento com cautela, o que sempre tive durante a minha trajetória. O adversário é poderoso, requer respeito.

O 17º ciclo foi excelente. Os dois primeiros dias foram terríveis para mim. Apesar de estar familiarizado ao hospital e aos profissionais que me atendiam, de existir o consolo de ser o penúltimo ciclo e de saber tudo que poderia ocorrer durante a semana, não consegui me manter calmo. O problema era psicológico mesmo e experimentei novamente algumas das piores sensações que tinha vivido alguns ciclos antes. Era só pensar nos dias que ainda tinha pela frente que o coração acelerava, o corpo suava, sentia tonturas. Incrível como nossa mente consegue promover reações físicas tão fortes. Contornei o problema conversando bastante com a Denise. Abri meu coração e falei o que estava sentindo, tentei explicar o que me afligia. Resolveu. Consegui me acalmar e de terça em diante tive dias excelentes.

Na segunda-feira, logo após terminar a administração do methotrexate, recebi uma dose de Plasil e em seguida me senti mal. É normal, ocorria em outros ciclos também. Isso era mais comum com o Dramin e em decorrência desses eventos e da sonolência que me causava, há alguns ciclos não uso esta medicação. Decidi junto com o Dr. Júlio que só tomaria Zofran e Plasil para controlar o enjoo. Entretanto, mesmo retirando o Dramin continuava com uma certa sonolência durante o dia. Após o mal-estar da segunda-feira, decidi que deveria deixar de tomar também o Plasil e tentar encarar as náuseas apenas com o Zofran, que na verdade é a mais potente das três drogas. O resultado foi excepcional! Não senti mal-estar algum durante o restante da semana e, o melhor, a sonolência acabou. Passei os dias bem acordado e muito bem disposto e o tempo, pasmem, passou muito rápido para mim. Consegui assistir televisão, ler, caminhar pelo corredor do hospital, usar o computador, me alimentar, tudo de maneira natural, o que não conseguia fazer antes. Pela primeira vez consegui vencer uma internação sem usar remédio para dormir, pois como passava o dia todo acordado o sono só aparecia pela noite. Além disso, recebi algumas visitas que me deixaram muito feliz! É por isto que disse: o 17º ciclo foi excelente!

Como eu disse no post anterior, a única anormalidade do último ciclo foi a função renal que esteve o tempo todo fora do padrão. A creatinina variou entre 1,4 e 1,48 mg/dL, o que está acima dos valores de referência. Hoje fiz exame de sangue e está tudo dentro do normal. A creatinina baixou para 1,12 mg/dL e dá a entender que a anormalidade foi transitória e consequência da quimioterapia. Amanhã consultarei uma nefrologista para iniciar uma avaliação mais minuciosa.

A imunidade já está legal e agora vou voltar para a dieta do astronauta, conhecem? Aquela que foi para o espaço. Os próximos dias serão regados a gorduras saturadas de todos os tipos e muito alimento cru, chega de comida cozida. Brincadeira, óbvio. A alimentação é muito importante, não podemos descuidar.

Enfim, nas próximas semanas vou descansar, tirar férias do tratamento e do blog também. O último ciclo está marcado para 13/02/2010. Até lá eu torno a escrever.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Menos Uma!

Já estou em casa! O 17º ciclo foi super tranquilo, estou me sentindo muito bem. A dosagem de methotrexate no sangue seguiu uma tendência positiva e hoje fui libertado do cativeiro hospitalar. O único porém desta internação foi a creatinina, que nunca esteve dentro dos limites de referência. Nos próximos dias farei exames de sangue para verificar a progressão e uma avaliação nefrológica mais detalhada já se faz essencial para constatar a quantas andam os meus rins.

O penúltimo ciclo se foi. Agora restam poucos passos até a linha de chegada!

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

17ª Ciclo, 1º Dia

Internei ontem à tarde no quarto 952 do Hospital da PUCRS. Hoje recebi 14g de methotrexate e ainda não tenho o resultado da dosagem do exame de sangue da hora zero. O Dr. Júlio acabou de sair daqui e ele já estava com os demais índices. A má notícia é que a creatinina já está em um nível acima do normal (1,4 mg/dL). Apesar disso, não tive maiores problemas. Vamos torcer para que os rins voltem a operar normalmente e que não tenhamos mais surpresas.

Hoje recebi a visita da minha irmã Kota, do meu cunhado Filipe, e dos meus sobrinhos Gabriel e Henrique. Passaram a tarde comigo e ajudarm a fazer meu dia mais agradável. A mãe também passou o dia comigo e o pai também veio me ver. Agora de noite a Denise está aqui me acompanhando. Tenho recebido muito carinho da família, o que me faz ter forças para seguir a luta de cabeça erguida.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

1ª Postagem do Ano

Esta é a primeira postagem de 2011, que espero ser o último ano de tratamento. Meu fim de ano foi excelente e cá estou eu de novo na Babilônia dando se- quência ao caminho que iniciei em 2009. Ontem foi dia de consulta. Na última terça-feira fiz um exame de sangue e, conforme dr. Júlio, tudo está muito bem. A novidade é que entre os índices examinados estava a Troponina I, que é detectada no sangue quando há lesão no miocárdio. O exame apresentou resultado dentro dos padrões normais, sinal de que meu coração segue batendo firme e forte e de que os seis ciclos de doxorrubicina não foram agressivos ao meu corpo a ponto de gerar lesões cardíacas.

E domingo próximo é dia de internação. O ano mal começou e lá vou eu para mais uma. No 17º ciclo receberei novamente o methotrexate, será a 11ª aplicação da droga amarela, ou então, olhando por outro lado, será a penúltima. Esses dias eu disse "mais uma" e a Denise me corrigiu otimista: "menos uma".

Mesmo faltando pouco, é outra internação. Para mim é mais uma semana de tortura, não consigo me acostumar à vida do hospital. Apesar disso, vou levar na mala alguns livros para ler e voltar a praticar as minhas táticas anti-tédio. Falta pouco e lembrar disto certamente atenua os sentimentos ruins. Quando estiver internado volto a escrever.

A foto superior é com o dr. Júlio e esta com o pessoal da clínica que não estava presente na outra foto que publiquei há alguns dias.

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Feliz 2011!

A todos que me acompanham, não tenho muito mais a dizer para esta data a não ser o que se repete a cada ano que se termina: Feliz Ano Novo! Que em 2011 tudo seja melhor do que foi em 2010, que tenhamos todos muita paz, saúde e felicidade, pois se tivermos isto, teremos tudo que precisamos para sermos plenos. O resto é consequência.

Meu 2010 foi ótimo, por mais incrível que isto possa parecer, muito melhor que 2009. Espero um 2011 ainda melhor que 2010, que a minha recuperação seja concluída da melhor forma e que todos nós sejamos/continuemos felizes.

Um grande abraço a todos!

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Natal: 2009, 2010

Impossível deixar de comparar. O Natal de 2009 deixou marcas importantes na minha história. Para quem não lembra ou não acompanhou, meu tumor foi descoberto quase três meses antes e estive internado até às 20h do dia 24 daquele ano. Era uma quinta-feira, ainda não estava em perfeitas condições para deixar o hospital, mas o risco de complicações já era insignificante. O Dr. Júlio surpreendeu a todos, que já estavam prontos para passar o Natal comigo no hospital, e me deu alta. Apesar de ainda carregar as úteis e prestativas muletas e estar sob alguns efeitos colaterais da quimioterapia, pude ceiar com a minha família em casa e na época considerei o maior presente de natal que já havia recebido, me fez muito feliz, um presente que não trocaria por qualquer dinheiro no mundo.

Como disse no início, impossível deixar de comparar. O Natal de 2010 foi mais leve. O clima foi realmente de celebração. Pudemos deixar um intervalo entre a quimioterapia e o Natal suficiente para que eu estivesse 100% bem. Um ano inteiro de incertezas está chegando ao fim e com um saldo muito positivo. Tudo ocorreu como desejamos. Não tive complicações maiores, estou novamente caminhando, os exames sugerem que estou livre de doença, a família ganhou novos membros, entre tantos outros motivos de alegria que tivemos entre as duas datas.

Enfim, lembrar do Natal de 2009 me faz chorar, mas não de tristeza e sim de orgulho. Orgulho de ter a família que tenho, orgulho por ter superado um momento tão difícil, orgulho por ter aproveitado uma oportunidade única na vida de aprender um pouco mais sobre o que realmente tem valor para mim. Me arrisco a dizer que aprendi mais sobre mim naquele único dia do que em muitos outros anos da minha vida. Talvez eu não seja compreendido por muitos, mas eu não trocaria um segundo sequer daquele dia por qualquer coisa nesse mundo!


sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Mais um Feliz Natal

Como é bom viver mais um Natal! Esta data é tão bela, tão cheia de significados. Para mim é um dos momentos mais marcantes do ano. Muito além da troca de presentes e a do próprio significado religioso da data para os cristãos, esta data se consolida como especial princi- palmente por ratificar a importância da família, instituição que vemos tão enfraquecida nos tempos atuais, o que para mim é a maior causa do caos social que se estabelece na nossa sociedade. Um tempo de paz, renovação e perdão. Um tempo para extrairmos de nossas entranhas o melhor de nós mesmos e compartilharmos com o mundo. A todos que me acompanham, um Feliz Natal!

Além de Natal, é aniversário da minha mãe, uma das pessoas que mais amo nessa vida e que me acompanha de perto nessa minha cruzada. Está ao meu lado em todos os momentos, nos bons e nos maus. Tantas noites passou em claro para cuidar de mim, tantos dias de ansiedade compartilhou comigo nas internações e quimioterapias na clínica, tantas vezes preparou especialmente a comida que pedi quando o apetite e o paladar faltaram. Mãe, não preciso te dizer o quanto és importante na minha vida. Muito obrigado pela criação que me deste, pelo amparo que me dás e pelo amor que sempre me darás. A tua dedicação incondicional é uma grande parte da minha vitória! Eu te amo. Feliz Aniversário!


quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

A Derradeira Filgrastima

Ontem recebi a última dose de filgrastima. Foram 12 injeções subcutâneas para cada um dos seis ciclos de doxorrubicina que realizei. Ao todo foram 72 aplicações, todas em torno do umbigo.

Por curiosidade, pes- quisei o preço da medicação e fiquei surpreso. Uma caixa contendo 5 frascos de 1 mL cada custa em torno de de R$ 2.500,00, ou seja, cerca de R$ 500,00 por frasco. Fazendo um cálculo rápido, considerando a proporção de 1 mL por aplicação, 72 aplicações custaram R$ 36.000,00.

A medicação foi integralmente fornecida pelo plano de saúde. É nestas horas que vejo o quanto é importante ter um. Imaginem investir R$ 36.000,00 em recuperação de imunidade! E esta droga ainda é barata quando comparada aos quimioterápicos.

Não tenho certeza se o SUS fornece a filgrastima para tratamento profilático, mas já ouvi relatos de várias pessoas que possuem plano de saúde e enfrentam dificuldades para obter a quantidade certa do remédio. Em decorrência do preço elevado, os planos tendem a fornecer menos quantidade que o adequado. É a legítima "economia burra" para o plano de saúde e também para o SUS, pois o custo probabilístico correspondente ao risco de uma dose insuficiente da medicação resultar em uma internação indesejada supera em muitas vezes o valor da medicação na dose ideal. No meu caso, uma internação para curar uma infecção grave poderia ser mais cara do que os R$ 36.000,00 gastos com filgrastima em todo o tratamento.

Enfim, ontem a Ana (foto) aplicou a última dose deste ciclo. Foi a última aplicação em casa. Registro aqui o meu sincero agradecimento a Ana que se dedicou desde o primeiro ciclo a me ajudar com as injeções. Não bastasse o auxílio técnico, ela prestou um apoio ainda mais nobre: o humano, incentivando-me a prosseguir firme nessa luta tão difícil. O agradecimento é extensivo a Laura, a Patrícia e a Amanda que também ajudaram nos momentos em que a Ana, por motivos de saúde, esteve impedida de auxiliar. Ainda bem que tenho tantas vizinhas da área da saúde! São pessoas extraordinárias, anjos que apareceram no meu caminho! De coração, o meu muito obrigado!

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Náufrago: Últimos Dias

Fiz mais um exame de sangue hoje. Os re- sultados foram muito bons. Graças à fil- grastima que venho recebendo diariamente, os leucócitos ultra- passaram 13.000/μL, um índice acima do normal, mas perfei- tamente aceitável em virtude da medicação.

As plaquetas continuam poucas, mas já apresentam crescimento, totalizando agora 48.000/μL. Ainda não é suficiente, mas demonstra que meu corpo já começa a se recuperar. Por enquanto continuo sem fazer a barba e sem cortar o cabelo, mas os pelos do meu corpo já começaram a cair e até o final da semana deixarei o estilo "náufrago" para o estilo "Guiñazu" novamente.

sábado, 18 de dezembro de 2010

Imunidade: OFF

Fiz exame de sangue ontem e o resultado foi o esperado: imunidade baixíssima e plaquetas muito abaixo da quantidade ideal. Tudo dentro da normalidade para o período pós-quimioterapia da droga vermelha.

Os leucócitos estão na faixa de 1.500/μL ao todo, sendo que os neutrófilos, que formam uma primeira linha de defesa para o organismo, estão em 150/μL (o mínimo deveria ser em torno de uns 1.500/μL). Já recebi oito doses de filgrastima de um total de doze, por injeções subcutâneas, e a tendência é que os leucócitos comecem a aumentar de quantidade nos próximos dias.

As plaquetas chegaram a 31.000/μL, sendo o valor normal entre 140.000/μL e 400.000/μL. Estou em estado de alerta para o caso de as plaquetas se reduzirem ainda mais. Neste caso, terei que recorrer ao hospital para realizar uma transfusão de plaquetas.

A recomendação do Dr. Júlio é ficar "de molho" como costumamos dizer. Continuar a reclusão em casa, seguir tomando cuidados com a alimentação (a famosa dieta dos cozidos e fervidos) e evitar cortes (fazer a barba, preparar alimentos com objetos cortantes...). Portanto, sigo com as mesmas atividades de sempre: computador, televisão, rádio e a família. Assim os dias vão passando e meu corpo se recuperando.

Quanto aos efeitos sensíveis da quimioterapia, estou apenas com a boca um pouco debilitada. O paladar continua prejudicado, a língua e as paredes internas um pouco inchadas e machucadas. As dores no corpo já passaram, mas sei que em alguns dias voltarão (quando a medula começa a se recuperar sempre sinto dores pelas costas).

Segunda-feira farei outro exame de sangue e terça-feira mais um. Agora é hora de manter os cuidados e o estado de alerta, além, é claro, de aproveitar o tempo ao lado da família.