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quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Ainda Sobre o Chá Verde

Com a contribuição da nossa amiga Carin, encontramos um artigo que contra-indica o uso do chá verde concomitante à quimioterapia com BORTEZOMIB, utilizada em pacientes com mieloma múltiplo. De qualquer forma, sugiro a quem esteja recebendo quimioterapia ou qualquer outro tratamento que consulte seu médico antes de fazer uso mais efetivo do chá verde. Para quem não está em qualquer tratamento não existem contra-indicações, exceto para quem tem alguma restrição à cafeína.

Navegando pela internet encontrei uma reportagem com David Servan-Schreiber, autor de Anticâncer - Prevenir e vencer usando nossas defesas naturais, que foi apresentada no Globo Repórter há um tempo. A reportagem fala um pouco sobre a trajetória do pesquisador no combate à doença e também sobre a sua teoria anticâncer.






terça-feira, 9 de novembro de 2010

Chá Verde

É uma das discussões do momento na oncologia. Afinal, até que ponto a alimentação tem in- fluência no desenvol- vimento de tumores no nosso organismo? Alguns dizem que ainda não existem evidências cla- ras a respeito dos bene- fícios de uma alimen- tação saudável no que diz respeito à prevenção do câncer. Outros a- firmam e envidam esforços em pesquisas muitas vezes carentes de recursos na tentativa de estabelecer correlações positivas.

Fato é que existem muitos interesses (ou desinteresses) por trás de tudo isso. A bilionária indústria farmacêutica jamais investiria em pesquisas para analisar os efeitos do brócolis, do chá verde ou do cúrcuma na prevenção do câncer. Isto não significa que a culpa é das empresas que detêm as maiores fatias do mercado farmacêutico. É plenamente concebível que não invistam nessa área por não ser interessante economicamente. Estamos falando de empresas. Estamos falando de capitalismo (isto não é uma crítica, apenas uma constatação de como funciona o nosso mundo). Não fossem essas empresas e não teríamos tratamentos oncológicos tão avançados. Da mesma forma, ninguém desenvolve remédios apenas porque é "bonzinho". Existe a contrapartida financeira sempre e no caso da oncologia é uma bela contrapartida, mas isto é assunto para uma outra postagem.

Mas então quem deve investir em pesquisas desse tipo? Na minha opinião é o Estado. Trata-se de saúde pública, trata-se de bem-estar social, trata-se talvez de evitar uma epidemia ainda mais assustadora. Os números não mentem. Nas últimas décadas, principalmente no mundo Ocidental, o aumento do número de pacientes acometidos pelas variações da doença é desproporcional ao aumento da população. Os dados epidemiológicos dão conta desta dura realidade. Algo está errado. Algo tem que mudar.

A mim parece claro que existe algo errado no nosso modo de vida, mas isto é apenas uma opinião de alguém pouco experimentado no assunto. Apesar disso, me calcei de alguns estudos existentes na área, que apresentam indícios do que discorrerei a seguir.


O Chá Verde

O chá verde é uma bebida milenar que é fabricada a partir dos brotos novos de Camillia sinensis. Não se sabe exatamente sua origem, mais o mais provável é que tenha surgido na região da Índia e tenha chegado a China através da rota da seda.

A cultura ocidental incorporou o chá aos seus hábitos por volta de 1600, quando comerciantes portugueses começaram a importar a especiaria do mundo oriental. Nesta época, o chá era predominantemente verde, pois o chá preto ainda não havia se difundido na própria China. Ocorre que na sequência, devido à capacidade do chá preto de manter inalteradas suas propriedades, aroma e sabor por maior período de tempo, o chá verde passou a ser preterido e atualmente o chá mais consumido no Ocidente é preto.

A sua capacidade anticancerígena reside na abundância de polifenóis, especificamente flavonóis ou catequinas, que são moléculas complexas que agem no organismo humano inibindo a angiogênese, através do bloqueio do receptor de VEGF (ver o segundo vídeo da postagem Angiogênese). Até o momento, a Epigalocatequina-3-galato, mais conhecida como EGCG, é a molécula de origem nutricional mais poderosa nesse bloqueio.



A diferença entre o chá verde e o chá preto está no processo de fabricação. A fabricação do chá verde é capaz de manter a EGCG, enquanto que a do chá preto converte os polifenóis em pigmentos negros. Além disso, o chá verde tem até 4 vezes menos cafeína em sua composição.

In vitro, a EGCG foi capaz de inibir o crescimento de células de leucemias humanas, leucemias eritrocitárias, cânceres de rim, pele, mama, boca e próstata. Estudos em animais foram positivos para exposição a agentes cancerígenos causadores de cânceres de pele, mama, pulmão, esôfago, estômago e cólon. Um estudo publicado no Journal of Cancer Research & Clinical Oncology em 2004 sugere que a combinação do chá verde com a radioterapia em crianças com meduloblastoma traz mais efetividade ao tratamento. Outro estudo realizado em Harvard utilizando camundongos avaliou a combinação do chá verde com a soja e também apresentou resultados positivos na inibição do câncer de mama estrógeno positivo.

O ideal é que o uso do chá verde ocorra três vezes ao dia com infusões de 8 a 10 minutos (menos que 5 minutos só consegue extrair 20% das catequinas). Existem diferentes tipos de chá verde e a proporção de EGCG varia. Sencha-uchiyama, Gyokuro e Sencha são os que apresentam maior quantidade da molécula. Os três são japoneses. Deve-se consumir a bebida logo após o seu preparo, evitando as garrafas térmicas.

Faço uso do chá verde regularmente (ainda não atingi a frequência correta). O chá é muito gostoso e é perfeitamente possível dar conta das três xícaras por dia. Além disso, o hábito acaba por ajudar a criar outro hábito muito incentivado pelos nutricionistas, que é fazer cinco ou seis refeições por dia.

Para quem se interessar, seguem as fontes:
Anticancer: Prevenir e vencer usando as nossas defesas naturais - David Servan-Schreiber
Os alimentos contra o câncer - Richard Béliveau Ph.D., Denis Gingras Ph.D.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Angiogênese

Em complemento à postagem anterior, encontrei os vídeos a seguir que explicam resumidamente a formação de um tumor e de uma metástase.