terça-feira, 25 de maio de 2010

A Imagem do Joelho Biônico

Hoje peguei o resultado de alguns dos exames de rotina a que me submeti na última sexta-feira. Foram algumas horas que passei no hospital entre máquinas diversas para um diagnóstico completo. Primeiro fiz uma tomografia computadorizada de tórax, abdômen e membro inferior esquerdo. Depois foi a vez da ecografia e, para finalizar, radiografia da perna esquerda e da bacia.

A tomografia é realizada com contraste para identificar melhor possíveis neoplasias. Como sou alérgico à sulfa, o exame acaba demorando um pouco mais, pois recebo um medicamento de 15 a 30 minutos antes para me "dessensibilizar". Além disso, é necessário ingerir um contraste via oral (de 4 a 6 copos de um líquido cor-de-rosa com um gosto horrível) para viabilizar as imagens de alguns órgãos. Já "dentro" da máquina outro contraste é administrado, porém este é endovenoso e causa uma sensação muito estranha. A sensação é de que o corpo está esquentando, principalmente nas regiões da nuca e da bacia, parece que se está urinando nas calças, mas felizmente só parece. Também se sente um gosto metálico na boca por alguns segundos.

Terminada a tomografia era a vez da ecografia. Fui direto ao banheiro antes de me deslocar até o local do segundo exame, estava com a bexiga cheia e precisava esvaziá-la. Para a minha infelicidade, somente após urinar me informaram que eu deveria estar com a bexiga cheia para fazer a ecografia. Lá fui eu tomar mais 5 copos de água e esperar mais uns 30 minutos. A finalidade deste exame era identificar possíveis problemas anatômicos nos rins para concluir o diagnóstico iniciado no último ciclo de quimioterapia. O resultado sugere que não existem problemas desta ordem nos rins, portanto os pequenos problemas são de ordem fisiológica, como era previsto.

Ainda não tenho os resultados das tomografias de tórax e abdômen, apenas do membro inferior esquerdo. Não foram constatadas quaisquer alterações em relação ao exame anterior, portanto a endoprótese continua no seu lugar, firme e forte e sem maiores problemas. A radiografia da bacia também não apresenta alterações bem como a do joelho.

Para quem ainda não viu uma imagem do meu joelho biônico, resolvi apresentá-la aqui no blog.


A imagem acima é a radiografia de perfil do joelho esquerdo. Notem que existe uma descontinuidade da imagem na região de polietileno, responsável pela articulação da prótese.



Imagem meramente ilustrativa e explicativa.

domingo, 9 de maio de 2010

Fôlego Renovado

Terminado o 9º ciclo de quimioterapia já é hora de voltar a escrever. Sei que estou em dívida com todos que me acompanham aqui pelo blog e nesta postagem pretendo esclarecer os motivos de minha ausência enquanto narrador desta novela.

Todos sabem ou imaginam que atravessar esse tratamento, que apelidei de vale sombrio, não deve ser fácil. Realmente, não imaginava facilidades quando ele começou. Previ todo tipo de dificuldade, principalmente física, imaginava estar imune à corrosão psicológica que era apenas uma possibilidade para um ser tão racional, realista, sensato e auto-suficiente como eu imaginava ser. Mas até mesmo uma rocha pode ceder. Com pessoas isto seja, talvez, mais líquido e certo do que alguns efeitos colaterais da quimioterapia. Ainda em meio ao 8º ciclo me deparei com uma situação que nunca imaginaria: estava eu no hall da depressão, já estava atravessando a porta, prestes a me entregar em um vazio que talvez me tragasse para as profundezas do vale sombrio e lá me aprisionasse, na escuridão, no frio, aguardando o pior.

Acho que na nossa vida, muito pouca coisa acontece por acaso. Pessoas cruzam nosso caminho em momentos bons e não imaginamos que um dia elas podem nos tirar do abismo. "Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.", profetizou Antoine de Saint Exupéry em sua fábula O Pequeno Príncipe. Ele estava certo. E como estava! Tive motivação suficiente para voltar, abandonar o escuro, fechar a porta, me sentar ao sol, à luz da minha motivação. Aprendi que, assim como a minha doença, meu tratamento é coletivo, não sou afetado sozinho, todos ao meu redor podem sentir, podem contribuir, podem me ajudar e é por estas pessoas, minha família e meus amigos, que preciso seguir em frente, vencer, dar a volta por cima neste embaraço da vida. Não é feio precisar de ajuda, mas sempre achei que isto não fosse para mim. Tolice a minha acreditar que a vida não me faria mudar de ideia. Hoje sei que sem as pessoas que me importam não sou nada, não tenho razão de viver, não irei a lugar algum. Eu nem mesmo precisaria estar escrevendo estas palavras. Muitas vezes penso que morrer pode ser mais fácil do que viver. A questão é que ainda existem motivos para viver. Para morrer não.

Os últimos dias foram dias de reflexão na minha vida. Dias de reciclagem de conceitos, de pesos e importâncias. Não me senti disposto a escrever em meio a este turbilhão emocional. Para ser sincero, estava sem a menor inspiração, não saberia por onde começar, não teria nada digno a dizer. Procurei esquecer um pouco da doença e do tratamento e me dedicar um pouco mais a aproveitar meus dias com pensamentos mais leves. Acredito que já esteja recuperado, me sinto confortável em escrever e já não estou em pânico quanto às incertezas do futuro.

Quanto ao 9º ciclo, foi tranquilo, como todas as outras aplicações de methotrexate. Fui liberado na sexta-feira de tarde para retornar para casa. Sofri apenas os efeitos colaterais de sempre, boca inchada, dores no corpo e um pouco de lentidão no raciocínio. Tudo bem leve. Não tenho do que me queixar.

A novidade é uma avaliação nefrológica que iniciei. Tanto a cisplatina quanto o methotrexate são drogas consideradas nefrotóxicas. A cisplatina tem um potencial de toxicidade bem significativo, causando algumas lesões irreversíveis que se substanciam em perda de função renal. A última DCE (depuração da creatinina endógena, exame de sangue e de urina indicativo da função renal) revelou um pequeno déficit. Os meus níveis de creatinina no sangue também estão num patamar onde a perda de função já é provável. A creatinina é produzida através da atividade muscular e esta produção é praticamente constante no organismo. Ela aumenta sua concentração no sangue a medida que reduz a taxa de filtração renal. Fiz um exame de urina e nos próximos dias farei uma ecografia para avaliar melhor. Já recebi três doses de cisplatina e só tenho mais uma a receber. Conforme avaliação preliminar do nefrologista, é bem provável que esta questão não interfira no tratamento e eu possa fazer o 10º ciclo normalmente.

Ao realizar o balanço de costume após o término de mais um ciclo, agora posso ver que já venci metade do tratamento quimioterápico. Nove ciclos se foram, nove ainda estão por vir. Ainda me sinto cheio de disposição para enfrentar o tratamento. Estas últimas semanas serviram para retomar o fôlego. Agora posso seguir o caminho que comecei a trilhar oito meses atrás rumo à vitória. Estou pronto, preparado, firme e forte. Não é assim tão fácil para me derrubar do cavalo!


P.S. 1: quero deixar aqui um agradecimento especial ao Cristiano, que trabalha na psicologia da Clinionco. Ele foi decisivo nesta retomada, me encorajou a refletir e a buscar o melhor para o enfrentamento da situação. Estive munido das melhores armas para o combate. Muito de minha paz espiritual devo a ele. Obrigado!

P.S. 2: hoje é Dia das Mães e parabenizo a todas as mães que estão lendo esta postagem. Em especial desejo um feliz Dia das Mães a minha mãe, que tem sido incrível comigo nestes momentos que mais preciso dela, tem demonstrado uma força enorme e uma dedicação incondicional. Não sei o que seria de mim sem ti. Mãe, eu te amo!

quarta-feira, 5 de maio de 2010

9º Ciclo

O 9º ciclo de quimioterapia começou no domingo passado, dia 02 de maio de 2010, no quarto 918 do Hospital São Lucas da PUCRS. Até aqui tudo tem ocorrido dentro do planejado. Na segunda-feira recebi o methotrexate e o exame de sangue revelou uma boa dosagem da droga. Se tudo correr conforme previsto estarei livre para voltar para casa na sexta-feira de tarde. Até lá o desafio é superar o tédio.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Fim do 8º Ciclo

Já estou em casa. Fui liberado do hospital por volta das 16h30min e voltei imediatamente para casa. Como é bom estar em casa, não tem preço. Mesmo que seja para não fazer nada, em casa é bem melhor. O momento do retorno é sempre emocionante para mim, sinto a confiança retomando seu espaço e a certeza de um futuro melhor. Sempre faço um balanço para avaliar o tratamento. Já terminei o 8º ciclo. Já passei pela cirurgia e pelos momentos mais delicados da recuperação. Tanta coisa já aconteceu nestes últimos 7 meses e meio, que só posso estar feliz pelos resultados e confiante em tempos ainda melhores.

Agora tenho duas semanas de folga pela frente. Vou aproveitá-las da melhor maneira que puder, pois são elas que me deixam apto a enfrentar os ciclos seguintes de quimioterapia. Semana que vem devo fazer os exames de sangue como é normal após as internações e provavelmente ainda estarei com a dieta restrita. De qualquer forma, na outra semana já estarei pronto para fazer tudo o que der vontade, como comer um "xis salada" com bastante ovo e maionese hehehe. Oito já foram vencidos! Só faltam mais dez!

terça-feira, 13 de abril de 2010

8º Ciclo

Fui internado no último domingo no quarto 966 Hospital São Lucas da PUCRS para realizar o 8º ciclo de quimioterpia. Ontem recebi 16g de methotrexate e demais medicamentos usuais. No momento me sinto bem, estou recebendo soro e navegando um pouco pela internet. Agora resta aguardar uma boa recuperação para voltar para casa o mais rápido possível.

Já faz um tempo que não escrevo aqui no blog. Neste meio tempo ocorreu o nascimento de meus sobrinhos gêmeos Henrique e Gabriel. Para quem ainda não viu, seguem as fotografias. Apesar de parecerem idênticos, têm algumas diferenças, mas descubram por vocês mesmos.

Gabriel



Henrique

sexta-feira, 26 de março de 2010

Recuperação do 7º Ciclo

O 7º ciclo passou e já me sinto bem melhor. Desta vez tive muito pouca náusea, acho que os remédios deram conta do pouco que eu iria sentir. O inchaço que acumulava no terceiro dia de medicação sumiu dois dias depois. O que sumiu também foi o paladar. Sumiu e ainda não encontrei novamente. Além disso, estou com a boca um pouco sensível ainda. Um dia senti algumas dores no ouvido. Depois, começaram alguns zumbidos que me deixaram apreensivos.

Psicologicamente, acho que este ciclo foi o pior. Ainda não entendi o porquê. Esperei por vários dias os efeitos colaterais, mas eles vieram de forma amena. Ao mesmo tempo, minha cabeça parecia meio perdida, pensamentos vagos, uma certa desorganização mental. Estive deprimido até o domingo, quando comecei a melhorar. Sempre tento me manter firme, forte, evito que minhas fragilidades transpareçam, mas neste último ciclo acho que não consegui. Tive muitos pensamentos ruins. Em alguns momentos achei que estava a um passo da loucura. Nunca entenderei como funciona a vida, não adianta tentar. Apesar de ter consciência disso, em alguns momentos começo a refletir sobre o assunto, criar suposições, tentativas mais do que frustradas de entender os motivos e mecanismos da existência. Afinal, penso, logo existo. Não é assim? Se for... Bem, se for... Desisto!

Esta semana começou bem melhor. Olho o calendário e vejo que ainda tenho alguns longos dias até o próximo ciclo e isto me deixa feliz. Estou tentando não pensar muito adiante na linha do tempo, pois as vezes é meio brochante lembrar que o caminho é tão longo. Retomei as fisioterapias e continuo evidenciando progressos. Na terça-feira fui ao Dr. André, que está satisfeito com a evolução e recomendou que eu começasse a fazer movimentos resistidos. Ele analisou os exames de imagem que tinham me deixado duvidoso algumas semanas atrás e corroborou que está tudo bem. Na quarta-feira fui ao Dr. Júlio. Contei sobre os probleminhas auditivos e ele solicitou a avaliação de um otorrinolaringologista. É importante verificar se existe alguma perda na audição, pois a cisplatina pode causar surdez e ainda, segundo o protocolo, preciso receber mais uma dose no 10º ciclo. Hoje fui ao especialista que solicitou uma audiometria. Farei a audiometria na próxima quarta-feira e então não teremos mais dúvidas.

Amanhã começam os exames de sangue para verificar como estão minhas plaquetas e meus leucócitos. Espera-se que estejam em queda vertiginosa. Estou recebendo desde quinta-feira passada, diariamente, injeções de filgrastima (granulokine) para me recuperar da neutropenia. Normalmente, estou com níveis aceitáveis de imunidade na 12ª dose do medicamento, que deve ocorrer na próxima segunda-feira.

Enfim, mais um ciclo se foi. Ainda estou enjaulado em casa, mas em alguns dias poderei me aventurar pelas ruas novamente. Cada dia que se passa é um dia a menos de tratamento. O fim está se aproximando. Do mundo? Não, do mundo espero que não.


P.S.: Hoje é aniversário de Porto Alegre e da minha sobrinha do coração Lara. Parabéns a essa cidade maravilhosa e a esta menina linda.




terça-feira, 16 de março de 2010

7º Ciclo: 2º Dia

O 2º dia do 7º ciclo foi tranquilo. Dormi bastante na clínica enquanto recebia a medicação e o tempo passou rápido. Ainda não senti efeitos acentuados. Não estou tão disposto quanto ontem, mas também não estou me sentindo mal. Hoje comecei a tomar antieméticos de três em três horas para evitar as náuseas. Até o momento estou bem. A tendência é que os próximos três dias sejam os piores da semana, mas espero que este ciclo continue ameno.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Resultados dos Exames de Rotina e 1º Dia do 7º Ciclo

Semana passada levei um grande susto. Era noite de quinta-feira quando meu pai chegou em casa trazendo o resultado dos exames de rotina. Infelizmente, nem todos os laudos estavam prontos e só tínhamos o da cintilografia óssea e o da tomografia computadorizada do abdômen. Este não revelou qualquer alteração, o que é ótimo, ideal, aliviante. Porém a avaliação da cintilografia se mostrou inconclusiva quanto ao membro inferior esquerdo. O restante do esqueleto estava bem, sem alterações e eis aí mais uma vitória.

O estudo cintilográfico foi realizado com 99mTc-metilenodifosfonato (MDP). O traçador foi detectado em vários locais do membro inferior esquerdo, o que pode indicar que existe tumor ativo na região. A análise, porém, feita unicamente através de cintilografia, se mostra inconclusiva, tendo em vista a cirurgia feita recentemente. O laudo tem por conclusão: "Seguimento cintilográfico por neoplasia óssea de fêmur esquerdo mostrando hipercaptações a esclarecer. Sugerimos correlação clínico/radiológica.".

Quando acabei de ler percebi que viveria momentos de terror, angústia e aflição até o dia seguinte, quando receberia o resultado da tomografia do membro inferior esquerdo. Pensei em todo o esforço decorrente da cirurgia, todo o tempo investido para preservar o membro. Seria tudo em vão? Procurei esfriar a cabeça. Dormi um pouco, depois acordei e assisti ao jogo do Inter e fui dormir novamente. Na manhã de sexta-feira fui ao Hospital Moinhos de Vento realizar o último exame de sangue antes do 7º ciclo e apanhar os resultados dos exames que não estavam prontos no dia anterior. Chegamos ao hospital, meu pai e eu, por volta das 08h30min, fiz a coleta de sangue no laboratório e fui aguardar no saguão o resultado dos demais exames. A demora na entrega me deixava ainda mais apreensivo. Imaginava que o laudo teria custado um bom tempo ao médico em função da dificuldade ou do excesso de detalhes a serem observados no meu caso. Enfim, às 10h recebemos os exames que tanto esperávamos. Para a minha felicidade, a tomografia da perna esquerda apontou várias reações cirúrgicas, mas não reações neoplásicas. A do tórax não detectou qualquer anomalia. Agora estava mais aliviado, porém ainda tinha que apresentar os exames ao Dr. Júlio para uma avaliação mais acurada.

Saímos do hospital e fomos direto para a CliniOnco mostrar os exames ao Dr. Júlio. A avaliação foi a que esperávamos. Continuo livre. Mais um trimestre se passou e continuo livre. Parece que tirei um caminhão de 30 toneladas das costas. É difícil se manter sóbrio em momentos de ansiedade, mas não é impossível. Muitas vezes nos entregamos a um diagnóstico inconclusivo como se fosse uma sentença, quando na verdade é apenas uma indicação de que a questão deve ser melhor avaliada.

Aproveitei bem meus últimos dias de folga antes do 7º ciclo. Sábado, fui pagar uma promessa que minha irmã havia feito para que minha cirurgia fosse bem sucedida. Ela me levou até a Catedral Metropolitana para agradecer. Como todos sabem, a arquitetura do lugar é estupenda, uma verdadeira obra de arte no centro de Porto Alegre. Foi um ótimo passeio. Domingo, aproveitei para fazer a minha última refeição livre antes da quimioterapia. Os pastéis estavam muito bons. Sempre é bom sair um pouco em família para arejar as ideias.

Hoje foi o primeiro dia do 7º ciclo. Cheguei à clínica por volta das 08h30min e, após receber medicação para prevenir náuseas e 1,5 litro de soro, recebi 60mL de doxorrubicina (não sei ao certo a concentração da droga) acompanhada de um copo de gelo para minimizar a circulação sanguínea nos arredores da boca e evitar problemas como mucosite e aftas. Depois foi a vez da cisplatina - aproximadamente 1L - que demorou algumas horas para ser administrada. Ao todo recebi 5,5L de soro e fui liberado para voltar ao lar por volta das 17h40min. Estou me sentindo muito bem, tanto que estou escrevendo para o blog. Ainda não sinto nenhum dos efeitos esperados, apenas um leve inchaço (ainda não cheguei ao estágio "japonês"). Torçamos para que amanhã seja mais um belo dia e que os efeitos sejam amenos. Agora que a peleia já começou, vamos terminar com ela logo!

domingo, 7 de março de 2010

Recuperação do 6º Ciclo

A semana que se passou foi excelente. Apesar de ser a primeira semana de recuperação do 6º ciclo, meu corpo parece estar muito bem adaptado ao methotrexate, visto que os efeitos têm se tornado mais amenos ao passo que recebo novas doses da droga. Outra evidência está nos resultados dos exames de sangue, que demonstraram que quase todos os índices retornaram à normalidade em um curto espaço de tempo.

Na terça-feira que passou retornei ao Hospital da PUCRS para avaliação da cirurgia. Fiz a primeira radiografia do meu novo joelho de plástico e metal. A cimentação está boa e de um modo geral a recuperação também. Já consigo fazer quase tudo, apesar de ainda ter dificuldade em algumas tarefas como subir e descer escadas, colocar tênis, entrar no carro. Mas vejam bem, agora apenas tenho dificuldade, isto significa que eu já consigo fazer tudo isso, o que me garante mais qualidade de vida, independência e liberdade. Na última quinta-feira, durante a fisioterapia, medimos a flexão. O resultado foi 52º sem auxílio. Com esta amplitude já consigo sentar sem objetos auxiliares e caminhar muito mais próximo da normalidade.

Estou me sentindo tão bem, que semana passada pude retornar a uma das maiores paixões da minha vida. Voltei ao Beira-rio. Nunca passei tanto tempo longe do templo sagrado. Como é bom respirar aquele ar, gritar gol (e foram 4), vibrar com um carrinho do Guiñazu! Estava com saudade. Esse jogo me deu um novo fôlego. Agora posso enfrentar mais 6 ciclos de quimioterapia!

Mudando de assunto, ganhei de presente da minha noiva amada o livro "Anticâncer - prevenir e vencer usando nossas defesas naturais" do psiquiatra e pesquisador na área de neurociência David Servan-Schreiber. O livro traz o relato de um médico que lutou contra o câncer e, a partir de suas experiências, mudou seu estilo de vida. Iniciei a leitura e alguns pontos me chamaram a atenção, não pude deixar de refletir. Primeiramente o autor se baseia no fato de que nosso corpo está constantemente gerando células defeituosas, entretanto existem mecanismos naturais que impedem o nascimento de tumores. Por algum motivo, estes mecanismos falham. Os métodos apresentados na obra estão além dos habituais e não estão revestidos de comprovação científica. Basicamente sugerem um novo ponto de vista sobre a maneira como vivemos. Apesar disso, alguns argumentos são impressionantes. Destaco dois que me causaram certo espanto:

1º) Os cânceres na Ásia são de sete a setenta vezes menos frequentes que no Ocidente. Como explicar que japoneses que migraram para o Ocidente passaram a sofrer com a doença na mesma frequência que os ocidentais após duas ou três gerações?

2º) Uma pesquisa realizada na Dinamarca com pessoas adotadas identificou uma correlação não-genética para o câncer: filhos adotados não apresentavam variação na probabilidade de desenvolver câncer em função da morte de pais biológicos pela doença antes dos 50 anos, entretanto a probabilidade de morrer por câncer era multiplicada por 5 quando se fazia uma correlação com a morte de pais adotivos pela doença. Como explicar este fenômeno?

Fiquei tentado a terminar a leitura que comecei. Gosto de degustar cada página devagar para entender bem o que leio. Longe de mim fazer propaganda, mas sugiro a leitura para aqueles que buscam informações não-convencionais, mas ao mesmo tempo também não-sobrenaturais, sobre maneiras de lidar com a doença. Continuarei escrevendo aqui no blog sobre os pontos que achar interessantes, intrigantes ou relevantes.

Enfim, a semana que passou foi maravilhosa e a que está começando também será. Afinal, será a última de folga antes do 7º ciclo de quimioterapia, quando receberei as temidas doxorrubicina e cisplatina. Digo temidas porque eu as temo, estou sendo sincero. Mesmo sabendo de tudo que pode acontecer e sabendo que já superei esta medicação em outras duas oportunidades, continuo temendo e respeitando. Amanhã começarei uma nova bateria de exames de rotina com uma cintilografia óssea. Na terça-feira terminarei com uma tomografia computadorizada. Que seja uma excelente semana para todos!

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Fim do 6º Ciclo

E lá se foi mais um ciclo de quimioterpia. Recebi alta hoje de tarde e já estou em casa. Este ciclo foi bem tranquilo, praticamente não senti os efeitos comuns, apenas falta de apetite e um pouco de inchaço e sensibilidade na boca.

Toda vez que retorno para casa tenho a sensação de estar retornando ao mundo. Parece que enquanto estou no hospital estou atravessando um caminho sombrio e desconhecido, que me causa as mais estranhas sensações: medo, angústia, incerteza, raiva, enfim, muitos pensamentos ruins retornam nestas horas. São recaídas inevitáveis diante de um momento de fragilidade física e emocional.

Agora estou eu em casa, retomando o fôlego e aproveitando um pouquinho mais da vida enquanto não chega o 7º ciclo. Semana que vem terei consulta ao oncologista, exames de sangue e será tempo de refazer os exames de rotina para atestar a inexistência de metástases. Em meio a tudo isto a vida segue seu curso natural, todos envelhecendo a cada dia. Não deixemos para amanhã o que podemos fazer hoje.