terça-feira, 9 de novembro de 2010

Chá Verde

É uma das discussões do momento na oncologia. Afinal, até que ponto a alimentação tem in- fluência no desenvol- vimento de tumores no nosso organismo? Alguns dizem que ainda não existem evidências cla- ras a respeito dos bene- fícios de uma alimen- tação saudável no que diz respeito à prevenção do câncer. Outros a- firmam e envidam esforços em pesquisas muitas vezes carentes de recursos na tentativa de estabelecer correlações positivas.

Fato é que existem muitos interesses (ou desinteresses) por trás de tudo isso. A bilionária indústria farmacêutica jamais investiria em pesquisas para analisar os efeitos do brócolis, do chá verde ou do cúrcuma na prevenção do câncer. Isto não significa que a culpa é das empresas que detêm as maiores fatias do mercado farmacêutico. É plenamente concebível que não invistam nessa área por não ser interessante economicamente. Estamos falando de empresas. Estamos falando de capitalismo (isto não é uma crítica, apenas uma constatação de como funciona o nosso mundo). Não fossem essas empresas e não teríamos tratamentos oncológicos tão avançados. Da mesma forma, ninguém desenvolve remédios apenas porque é "bonzinho". Existe a contrapartida financeira sempre e no caso da oncologia é uma bela contrapartida, mas isto é assunto para uma outra postagem.

Mas então quem deve investir em pesquisas desse tipo? Na minha opinião é o Estado. Trata-se de saúde pública, trata-se de bem-estar social, trata-se talvez de evitar uma epidemia ainda mais assustadora. Os números não mentem. Nas últimas décadas, principalmente no mundo Ocidental, o aumento do número de pacientes acometidos pelas variações da doença é desproporcional ao aumento da população. Os dados epidemiológicos dão conta desta dura realidade. Algo está errado. Algo tem que mudar.

A mim parece claro que existe algo errado no nosso modo de vida, mas isto é apenas uma opinião de alguém pouco experimentado no assunto. Apesar disso, me calcei de alguns estudos existentes na área, que apresentam indícios do que discorrerei a seguir.


O Chá Verde

O chá verde é uma bebida milenar que é fabricada a partir dos brotos novos de Camillia sinensis. Não se sabe exatamente sua origem, mais o mais provável é que tenha surgido na região da Índia e tenha chegado a China através da rota da seda.

A cultura ocidental incorporou o chá aos seus hábitos por volta de 1600, quando comerciantes portugueses começaram a importar a especiaria do mundo oriental. Nesta época, o chá era predominantemente verde, pois o chá preto ainda não havia se difundido na própria China. Ocorre que na sequência, devido à capacidade do chá preto de manter inalteradas suas propriedades, aroma e sabor por maior período de tempo, o chá verde passou a ser preterido e atualmente o chá mais consumido no Ocidente é preto.

A sua capacidade anticancerígena reside na abundância de polifenóis, especificamente flavonóis ou catequinas, que são moléculas complexas que agem no organismo humano inibindo a angiogênese, através do bloqueio do receptor de VEGF (ver o segundo vídeo da postagem Angiogênese). Até o momento, a Epigalocatequina-3-galato, mais conhecida como EGCG, é a molécula de origem nutricional mais poderosa nesse bloqueio.



A diferença entre o chá verde e o chá preto está no processo de fabricação. A fabricação do chá verde é capaz de manter a EGCG, enquanto que a do chá preto converte os polifenóis em pigmentos negros. Além disso, o chá verde tem até 4 vezes menos cafeína em sua composição.

In vitro, a EGCG foi capaz de inibir o crescimento de células de leucemias humanas, leucemias eritrocitárias, cânceres de rim, pele, mama, boca e próstata. Estudos em animais foram positivos para exposição a agentes cancerígenos causadores de cânceres de pele, mama, pulmão, esôfago, estômago e cólon. Um estudo publicado no Journal of Cancer Research & Clinical Oncology em 2004 sugere que a combinação do chá verde com a radioterapia em crianças com meduloblastoma traz mais efetividade ao tratamento. Outro estudo realizado em Harvard utilizando camundongos avaliou a combinação do chá verde com a soja e também apresentou resultados positivos na inibição do câncer de mama estrógeno positivo.

O ideal é que o uso do chá verde ocorra três vezes ao dia com infusões de 8 a 10 minutos (menos que 5 minutos só consegue extrair 20% das catequinas). Existem diferentes tipos de chá verde e a proporção de EGCG varia. Sencha-uchiyama, Gyokuro e Sencha são os que apresentam maior quantidade da molécula. Os três são japoneses. Deve-se consumir a bebida logo após o seu preparo, evitando as garrafas térmicas.

Faço uso do chá verde regularmente (ainda não atingi a frequência correta). O chá é muito gostoso e é perfeitamente possível dar conta das três xícaras por dia. Além disso, o hábito acaba por ajudar a criar outro hábito muito incentivado pelos nutricionistas, que é fazer cinco ou seis refeições por dia.

Para quem se interessar, seguem as fontes:
Anticancer: Prevenir e vencer usando as nossas defesas naturais - David Servan-Schreiber
Os alimentos contra o câncer - Richard Béliveau Ph.D., Denis Gingras Ph.D.

5 comentários:

Marilisa Peeters disse...

Vitor !
Parabéns pela postagem e parabéns tb pela postagem anterior. Fico muito feliz em saber que o tratamento está na reta final e que tudo isso está bem "acomodado" dentro de ti. Tenho certeza que como a exemplo de teu nome, será um grande Vitorioso.
Um grande abraço.

C@rin disse...

Oi, Vitor!

Muito boa a postagem. Só te faço um alerta, avise seu médico sobre o consumo do chá verde, pois li numa revista da ABRALE, do ano passado, que o chá verde pode bloquear a ação de algumas drogas quimioterápicas. Essa nota falava de um tipo específico de quimio para linfoma, mas é bom se informar. Vou procurar nas revistas e te envio direitinho depois.

Beijo,

Carin

Vitor Finkler disse...

Carin,

Informei meu médico quando comecei a utilizar. Em princípio não houve contra-indicação, mas se encontrares a revista me encaminha (vitorfinklerpoa@hotmail.com) que posto complemento específico para o caso.

Um abraço,
Vitor Finkler

Vitor Finkler disse...

Carin,

Pesquisei na internet e encontrei no site da ABRALE o seguinte link:
http://www.abrale.org.br/fique_atualizado/interno.php?id=898

A reportagem fala de um estudo que sugere uma associação negativa do chá verde durante a quimioterapia com bortezomib, utilizada em pacientes com mieloma múltiplo. Fala também de um estudo sobre a erva-de-são-joão.

Enfim, é realmente muito importante consultar o oncologista antes de utilizar durante o tratamento. Para quem não está em tratamento não há contra-indicações.

Um abraço,
Vitor Finkler

Luiz Mauricio Finkler disse...

Daí Vitão.
Parabéns por esta postagem sobre CHÀS.
Com certeza a utilização destes produtos em sua grande maioria agem no sentido de combater as doenças e tumores. No Meu ponto de vista o tratamento com produtos naturais, atua de forma super lenta no organismo exigindo muitíssima pasciência de quem faz uso destes. É bom ressaltar que sempre devem ser usados com acompanhamento médico tb.
Um Abração.
Continuamos vibrando, torcendo e orando.
Tio Maurício e família.